venerdì 1 maggio 2015

Carla Tavares cantante e corista portoghese ci parla del suo percorso musicale (in italiano/em Português)

E' in noi che i paesaggi hanno paesaggio. Perciò se li immagino li creo; se li creo esistono; se esistono li vedo (...) La vita è ciò che facciamo di essa. I viaggi sono i viaggiatori. Ciò che vediamo non è ciò che vediamo, ma ciò che siamo. Fernando Pessoa 

1) Sei una musicista portoghese che vive a Roma. Quando hai iniziato gli studi musicali, cosa ti ha spinto?

Ho iniziato i miei studi musicali nel 1983, a sei  anni, nel Conservatorio Regional de Castelo Branco, una città al centro del Portogallo, a circa 60km dalla Spagna.
Noi abitavamo a 5 minuti  dal Conservatorio  e un giorno mia madre mi ci ha portato  insieme a mio fratello e ci ha chiesto se volevamo studiare musica ed  imparare uno strumento. Mio fratello ha detto subito di si, invece io ero un po’ titubante… successivamente,  incuriosita,  decisi  di iscrivermi.
Ho cominciato con Educazione Musicale e Coro infantile,  poi,  visto che man mano che andavo avanti  la musica diventava sempre più importante in tanti aspetti nella mia vita,  a otto  anni ho iniziato a studiare la chitarra, a dodici  il pianoforte e a diciassette il canto, sempre insieme a tutti gli altri corsi teorici, pratici, storici e scientifici, diplomandomi in Formazione Musicale (Didattica della Musica) nel 1998.





2) E’ vero che hai l’orecchio assoluto? Come te ne sei accorta?

Argomento un po’ delicato…
Si, secondo le classificazioni di Lars Edlund, il mio sarebbe un orecchio assoluto di tipo passivo.
In realtà,  non ricordo il  momento preciso in cui ho preso coscienza di questa cosa:  io sentivo così, …per me un suono ha un nome, “canta” un nome e quindi per me era la normalità. 

Comunque, durante l’adolescenza,   ne sentivo parlare al Conservatorio e pian  piano ho cominciato a notare che avevo un po’ più di facilità negli esercizi melodici, anche in quelli atonali, nell’intonazione, rispetto ad altri studenti  che non “sentivano” come me. Quando cantavo con un piccolo gruppo di voci, istintivamente,  aiutavo a non far calare l’intonazione  anche se non ne ero consapevole…(nell’immaginario collettivo avere l’orecchio assoluto significa avere un orecchio perfetto:  in realtà sappiamo che non è proprio cosi ma è una cosa un po’ più complessa).

Per comprendere  che questo “fenomeno” aveva un nome, sono dovuta arrivare alla Escola Superior de Musica de Lisboa, scambiare impressioni con studenti che avevano questo stesso tipo di sensibilità (alcuni con sfumature diverse) e poi avere la conferma da una mia insegnante di Formazione Musicale che un giorno mi ha messo alla prova...

Comunque, nonostante si pensi che chi è dotato di orecchio assoluto sia necessariamente  un bravo musicista, ciò può non corrispondere a realtà. Per diventare un bravo musicista servono tante altre cose, impegno e dedizione soprattutto;  avere l’orecchio assoluto non basta e a volte può essere addirittura limitativo (in certi contesti come ad esempio nella musica antica, con il diapason a 415Hz o altre intonazioni). Per questo l’orecchio va allenato in tanti modi, per farlo diventare “flessibile” e più gestibile. 

Nel mio caso ascoltare la musica per pianoforte, per esempio, è stancante  perché sento molto chiaramente le note e non l’insieme  e cosi, ad un certo punto ho cercato “rifugio”  nella musica vocale, antica  in particolare, sia  per una questione di piacere che per la concentrazione sul  testo che mi aiuta a  mascherare  questo continuo susseguirsi di note… 




3)      Quale genere di musica pratichi? Cosa ti piace ascoltare?

 Da molti anni mi dedico soprattutto alla musica vocale rinascimentale e barocca sia in gruppo che come solista (la musica, sia vocale che strumentale di queste epoche è quella che mi piace di più ascoltare, la sento come parte di me). Comunque sono una che ascolta delle cose completamente diverse: sempre nel campo della musica detta “colta”, mi piace molto la musica del medioevo, anche la musica del periodo classico, mi piace il Lied o la Chanson… Ma a volte c’è anche un po’ di spazio per la musica dell‘800 e contemporanea, soprattutto corale.
Per quanto riguarda altri generi di musica, ascolto diversi cantanti o gruppi pop, rock… Mi piace particolarmente la musica folk irlandese e poi, soprattutto per motivi etnomusicologici, la musica tradizionale di diversi paesi.


4)    Cosa é il fado ? Quale tipo di sentimento esprime ?

Il Fado è un tipo di canzone tra i generi musicali tradizionali portoghesi, uno dei simboli di questa cultura. E’ cantato da un uomo o da una donna, accompagnati con la chitarra (basso) e la chitarra portoghese in forma di dialogo.
“Fado” significa ”destino” e perciò le canzoni hanno un carattere molto espressivo,  interpretazioni intense, dovute soprattutto ai temi dei testi che parlano di saudade, nostalgia per la lontananza (emigrazione, lavoro in mare, ecc.), separazioni e sofferenze per amore…
Personalmente non è uno dei generi che mi piace ascoltare ma alcune canzoni sono veramente belle.  



L'intervista è stata tradotta da Carla anche in portoghese.



1) És um músico/coralista português que vive em Roma. Quando iniciaste os estudos musicais e o que é que te motivou?

Comecei os meus estudos musicais em 1983, com 6 anos, no Conservatório Regional de Castelo Branco, uma cidade no centro de Portugal, a cerca 60km da Espanha.
Nós habitávamos a 5 min. do Conservatório e um dia a minha mãe levou-me lá a mim e ao meu irmão e perguntou-nos se queríamos aprender música e a tocar um instrumento. O meu irmão disse imediatamente que sim, mas eu fiquei um pouco indecisa… Depois fiquei com curiosidade e decidi inscrever-me.
Iniciei com Educação Musical e Coro infantil e depois, visto que à medida que avançava nos estudos cada vez gostava mais e a música se tornava cada vez mais importante em tantos aspectos na minha vida,  comecei a estudar guitarra aos 8 anos, aos 12, piano e aos 17, canto, juntamente com todas as outras disciplinas teóricas, práticas, históricas e científicas, diplomando-me  em Formação Musical em 1998.



2) É verdade que tens ouvido absoluto? Como descobriste?

Assunto um pouco delicado…
Sim, segundo as classificações de Lars Edlund, o meu e’ um ouvido absoluto de tipo passivo.
Na realidade eu não descobri propriamente, não houve um momento exacto… eu ouvia assim, para mim um som tem um nome, “canta” um nome e portanto para mim esta era a normalidade.
De qualquer forma, durante a adolescência ouvia falar sobre isso no Conservatório e aos poucos comecei  a notar que tinha um pouco mais de facilidade nos exercícios melódicos, mesmo naqueles atonais, na afinação, em relação aos outros alunos e que eles talvez não ouvissem da mesma forma que eu, que quando cantava com um pequeno grupo de vozes, instintivamente ajudava a não deixar baixar a afinação, inconscientemente, mas não relacionei as coisas… para mim, ter ouvido absoluto significava ter um ouvido perfeito mas sabemos que na realidade não é exactamente assim e que é uma coisa mais complexa.
Para perceber que este “fenómeno” tinha um nome, foi preciso chegar à Escola Superior de Música de Lisboa, trocar impressões com outros estudantes com a mesma característica (alguns com esfumaturas diferentes) e depois, ser-me confirmado por uma minha professora de Formação Musical que um dia me “testou”.
Embora se pense que quem é dotado de ouvido absoluto seja um bom músico, na realidade não funciona assim… para ser um bom músico são necessárias tantas outras coisas, empenho e dedicação sobretudo, ter ouvido absoluto não basta e por vezes pode ser até limitativo em certos contextos como por exemplo na música antiga, com o diapasão a 415Hz ou outras afinações. Por isso o ouvido deve ser treinado em tantos modos, para o tornar “flexível” e mais fácil de gerir.
No meu caso, ouvir música para piano, por exemplo, cansa-me, porque oiço muito claramente  as notas e não o todo e assim, a um certo ponto, “refugiei-me” na música vocal, sobretudo antiga (também por uma questão de gosto) que, pelo facto do texto, mascara este contínuo suceder-se de notas.

3) Que género de música praticas? O que é que gostas de ouvir?

Há muitos anos que me dedico sobretudo  à música vocal renascentista e barroca seja em grupo que a solo e naturalmente a música, seja vocal ou instrumental, destas épocas é a que mais gosto de ouvir, sinto-a como parte de mim. De qualquer forma sou uma pessoa que ouve coisas completamente diferentes: sempre no campo da música dita “erudita”, gosto muito da música medieval, também da música do período clássico, gosto do Lied ou da Chanson…. Mas por vezes também há um pouco de espaço para a música de ‘800 e contemporânea, sobretudo instrumental ou coral.
Em relação a outros géneros musicais oiço diversos cantores ou grupos pop, rock…Gosto particularmente da música folk irlandesa e depois, sobretudo por motivos etnomusicológicos,  música tradicional de diversos países.

4) O que é o Fado? Que tipo de sentimento exprime?

O Fado é um tipo de canção dentro dos géneros musicais tradicionais portugueses, um dos símbolos desta cultura. Cantado por um homem ou por uma mulher acompanhados à guitarra e à guitarra portuguesa em forma de diálogo.
“Fado” significa “destino” e portanto as canções possuem um carácter muito expressivo com interpretações intensas, devido sobretudo aos textos que falam de ‘saudade’ causada pela distância (emigração, trabalho no mar, etc.), pela separação ou sofrimento por amor…
Pessoalmente não é um dos géneros que gosto de ouvir, mas algumas canções são realmente muito bonitas.


                                                                                                                     

                                                                                                                      Marisa Felice


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